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O Brasil como grande pólo global de TI
A tecnologia da informação tem ajudado o mundo a progredir econômica, social e culturalmente, e hoje vive uma fase de grande desenvolvimento. Várias tecnologias estão entrando em cena comercial. A tecnologia móvel, TV digital, banda larga e a internet propriamente dita são formas de ultrapassar as fronteiras do B2B para o B2C e até mesmo o C2B, o que cria um salto na utilização de TI e de comunicações. Essas novas tecnologias e a grande quantidade de entrantes no sistema nos obrigam a adaptar ao uso atual tudo o que foi criado em 45 anos de desenvolvimento de TI. O mundo já tem, por exemplo, 4,1 bilhões de celulares, que vão interagir com todos os sistemas já desenvolvidos.
Ao mesmo tempo, as empresas precisam cada vez mais investir em TI para controlar, desenvolver e ampliar seus negócios globalmente. E é vital que o façam de forma cada vez mais rápida e mais barata. Os investimentos em TI representam em média 5% do orçamento de uma empresa, e cada ponto porcentual reduzido nesse gasto terá um efeito direto na lucratividade.
São esses os motores de uma indústria que faturará US$ 1,3 trilhão no mundo em 2008, crescendo a taxas próximas de 3% ao ano. Puxando esse crescimento estão os serviços de offshore outsourcing, que movimentarão US$ 101 bilhões em 2010, e vêm crescendo 20% ao ano. No futuro, o offshore outsourcing se transformará num negócio de US$ 300 bilhões a US$ 400 bilhões anuais.
O Brasil, apesar de ter o oitavo mercado interno de TI do mundo e a indústria de TI entre as mais avançadas em diversos segmentos, como o financeiro e o governamental, exporta apenas US$ 2,2 bilhões em serviços de offshore outsourcing. O que faz com que este País tão competente internamente seja tão pífio participante desse bolo mundial.
Aqui se trata também de uma questão estratégica. Para exportar TI, não são necessários caminhões, estradas e portos. Dada a disponibilidade atual de telecomunicações, basta pressionar uma tecla de computador. Mas também basta apertar uma tecla para qualquer outro país exportar TI para o Brasil. A exportação, portanto, é uma necessidade vital em meio à profunda transformação pela qual a indústria está passando.
Para atender a essa necessidade foi criada a Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (BRASSCOM). Percebemos que há no mercado uma busca quase desesperada de fornecedores de offshore outsourcing alternativos à Índia, que domina US$ 50 bilhões desse mercado de US$ 84 bilhões (2009).
E, mais importante, depois de tantos anos dizendo que seria uma potência em TI, o Brasil finalmente dá uma manifestação concreta de que o fará. A recente Lei 11.774, que decretou a redução dos encargos trabalhistas para TI como nunca havia sido feito antes, foi um grande trabalho, realizado principalmente sob a liderança da BRASSCOM.
O desafio agora da BRASSCOM e das empresas de TI é prosseguir nesse esforço por fazer do Brasil um dos três grandes pólos globais de tecnologia, ao lado da China e da Índia. Ainda há uma série de desafios a serem superados. Mas, com a chancela política que agora temos, poderemos mostrar que somos qualificados para transformar esse projeto em realidade.
Antonio Gil Presidente da BRASSCOM
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